Arquitetura

Mulheres na Arquitetura

Em comemoração ao mês das mulheres, destacamos a vida e a obra de 5 arquitetas que mudaram a forma de se pensar a arquitetura e as construções.

LINA BO BARDI

Foto extraída do site Viva Decora

Arquiteta Ítalo-brasileira é uma das arquitetas de maior importância e expressividade na arquitetura brasileira do século XX, com seu design livre, é uma das poucas arquitetas que deixou sua marca no modernismo. Lina estudou arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Roma, onde um de seus professores teria dito a ela, depois de dar uma nota baixa: “melhor passar, uma bela ‘ragazza’ vai casar-se, não vai exercer a arquitetura”, reforçando o machismo da época que ainda perdura nos dias de hoje. Durante a segunda guerra mundial enfrentou um período difícil e seu escritório foi bombardeado. Depois de um tempo, casou-se e mudou-se definitivamente para o Brasil. Seu marido Pietro Bardi foi contratado para fundar e dirigir o novo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP) e Lina foi contratada para projetar a sede da instituição, um marco da Avenida Paulista e um dos pontos turísticos mais importantes e impactantes da cidade até hoje. Sua obra virou referência internacional e engloba além de projetos de arquitetura também trabalhos de cenografia, artes plásticas, desenho de mobiliário e design gráfico.

O MASP, Museu de Arte de São Paulo (1968) é uma construção modernista de vidro em linhas retas, suspenso, sustentado por grandes pilares vermelhos que se conectam pela parte superior do museu. Essas grandes colunas garantem a sustentação da edificação elevada que deixa a vista livre e este vão é utilizado há anos para expressões culturais e revolucionárias. No interiores as salas são amplas, funcionais e práticas.

MASP – Foto extraída do pinterest

MASP – Foto extraída do pinterest

A Casa de Vidro (1951), sua residência no Morumbi, em São Paulo, é outra obra de destaque de Lina com imponente fachada de vidro que parece estar flutuando sobre pilares, a Casa foi o primeiro projeto da arquiteta no Brasil e abriga hoje o Instituto Bardi, que busca promover e divulgar arquitetura, design, urbanismo e arte.

CASA DE VIDRO (1951) FOTO: Filippo Bamberghi.

CASA DE VIDRO – Foto retirada do site do Instituto Bardi

Interior da Casa de Vidro – Foto de Rui Teixeira

O Sesc Pompeia (1986) foi construído num local onde originalmente tinham galpões de uma fábrica e um córrego, que foram mantidos e serviram de partido para a arquiteta, que desenvolveu três torres em concreto aparente destinadas a abrigar atividades esportivas e culturais. É considerada a sexta melhor construção em concreto do mundo.

“Preservar a fábrica é preservar um pedaço da história da cidade, mas um pedaço da história como ela é mesmo, sem disfarces. Nada daquele conceito de que só deve permanecer o que é belo. O que é típico deve ser valorizado. Mesmo que seja simples, como seria obrigatoriamente uma fábrica de tambores.”

SESC POMPEIA– Foto: Ricardo Carranza

SESC POMPEIA – DETALHE – Foto: Ricardo Carranza

ZAHA HADID (1950 – 2016)

Zaha Hadid – Foto do site do escritório da arquiteta

Nasceu em 31 de outubro de 1950 em Bagdá – Iraque e viveu até os 65 anos, quando faleceu em 31 de março de 2016 em Miami nos Estados Unidos. Zaha Hadid ganhou diversos prêmios Prietzker, que seria o equivalente ao Premio Nobel da Arquitetura, foi inclusive a primeira mulher a receber o prêmio. Sua carreira seguiu uma trajetória meteórica, com muitas importantes obras construídas em todo o mundo. Sempre buscou expandir os limites da arquitetura através de formas contínuas singulares, linhas ousadas e expressividade escultural que criam contrastes espaciais.

Heydar Aliyev Center – Foto de Iwan Baan

Heydar Aliyev Center – foto interna – Foto de Hufton+Crow 

Proposta para cidade inteligente na Rússia – imagem produzida pelo escritório da arquiteta

Proposta para cidade inteligente na Rússia – imagem produzida pelo escritório da arquiteta

ALISSON GRACE WILLIANS

Foto extraída do site Harvard.edu

Nascida em 1976, trabalhou em alguns escritórios de destaque como Perkins+Will e AECOM e trabalhou em muitos projetos importantes até que em 2017 abriu seu próprio escritório, AGWms_studios, onde procura desenvolver projetos que moldem um futuro melhor, sempre buscando maximizar o potencial do local. Um de seus projetos mais importantes é o Centro August Wilson para Cultura Afro-americana em Pittsburg, um centro espaçoso e iluminado apesar de estar em uma esquina apertada. Fez também a Universidade Princess Nora Abdulrahman na Arábia Saudita, a maior universidade do mundo projetada para mulheres e o Laboratório de Medição Científica no Centro de Pesquisa Langley da NASA.

Centro August Wilson para Cultura Afro-americana – Foto extraída do site Cultural District e The Khooll

Universidade Princess Nora Abdulrahman na Arábia Saudita – Foto extraída do site Harvard.edu

NORMA MERRICK SKLAREK (1926 – 2012)

Foto extraída do site pioneeringwomen

Norma foi primeira em muitas coisas, quando se formou, nenhuma empresa de arquitetura quis contratá-la, com isso só conseguiu exercer sua profissão 4 anos mais tarde. Depois de alguns anos, abriu seu próprio escritório em conjunto com mais duas arquitetas: Siegel, Sklarek, Diamond. Com isso, foi a primeira mulher negra a receber licença de arquitetura, a tornar-se membro do Instituto Americano de Arquitetos (AIA) e ter sua própria empresa de arquitetura dirigida exclusivamente por mulheres.

Commons Courthouse Center – Columbus – EUA – Foto extraída do site gruenassociates

SHARON EGRETTA SUTTON

Sharon Egretta Sutton – Foto extraída do site newschool.edu

Nascida em 1941, possui quatro graduações – arquitetura, música, filosofia e sociologia, Sharon foi a primeira mulher negra a tornar-se professora universitária titular de arquitetura no Estados Unidos e a segunda a tornar-se membro do Instituto Americano de Arquitetos (AIA). Focada em trabalhos acadêmicos e sociais com projetos de pesquisa em prol de planejamentos urbanos participativos e inclusão de minorias e comunidades marginalizadas. É uma educadora ativista e acadêmica pública que promove a inclusão na composição cultural das profissões de construção de cidades e nas populações que atendem, e defende o planejamento participativo e processos de design em comunidades carentes.

Dois de seus livros de maior destaque – imagem 01: The Paradox of Urban Space, Imagem 02: When Ivory Tower were Black

BIBLIOGRAFIA:

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